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'Paraquedista' Hélio Lopes erra o brasão do Estado de Roraima em vídeo promocional de pré-campanha ao Senado

Publicada em: 18/07/2026 13:33 -

Ele apagou a postagem após ser questionado, mas o vídeo foi salvo na reportagem de O Globo / Foto: Reprodução /

Ele é deputado federal pelo Rio de Janeiro e se diz representante do ex-presidente e agora presidiário Jair Bolsonaro para concorrer ao Senado por Roraima. Trata-se de Hélio Lopes, que até transferiu seu domicílio eleitoral para Roraima há pouco tempo, mas isso não basta para representar o Estado em Brasília. É preciso, antes de tudo, conhecer os anseios da população e ser reconhecido por ela. Entretanto, ele acaba de dar uma clara demonstração de que não conhece Roraima, ao publicar em suas redes sociais um vídeo promocional de pré-campanha ao Senado. Ele apagou a postagem depois de questionado, mas o vídeo foi salvo e pode ser conferido na reportagem de O Globo.

O vídeo de Hélio Lopes exibe uma versão errada do brasão do Estado de Roraima. A imagem tem todas as características de ter sido feita com uso de inteligência artificial.

"No vídeo, o parlamentar conversa com versões mais novas de si mesmo e fala que está em uma missão para representar o povo de Roraima na capital federal. O emblema oficial conta com uma representação do Monte Roraima, formação geológica que nomeia o Estado em sua porção superior. Abaixo, são representados uma garça e um garimpeiro. A versão exibida no vídeo de Lopes é distinta e traz outros elementos. Outra diferença são os dizeres na parte inferior do brasão. Enquanto na versão oficial aparece escrito em português 'Estado de Roraima', a imagem exibida no vídeo traz a expressão 'Stato de Roraima'. No vídeo do parlamentar, o arco e flecha indígenas que constam na imagem oficial foram substituídos por uma coroa. O vídeo também apresenta outros erros", detalha a reportagem.

Outros casos

Hélio Lopes não é o primeiro político oportunista de outros estados a tentarem mandato por Roraima:

  • Marcos Pontes: Atual senador e ex-astronauta de São Paulo, chegou a se reunir com autoridades estaduais com propostas para o estado, mas desistiu da empreitada. 
  • Chai Kwo Cheng: Empresário chinês, concorreu à única vaga de senador por Roraima pelo antigo partido PPS nas eleições de 1998, mas não se elegeu. Foi alvo de mandados judiciais cumpridos em sua residência em Boa Vista. Em 2014, Cheng foi preso pela Polícia Interestadual (Polinter) em Boa Vista, em cumprimento a um mandado expedido pela 12ª Vara da Justiça Federal do Ceará. Ele foi condenado pelo crime de apropriação indébita previdenciária envolvendo a gestão de uma empresa têxtil (Jeily Indústria). Ele também recebeu uma condenação severa de mais de 20 anos de prisão pela 1ª Vara da Justiça Federal de São Luís (MA) devido a fraudes financeiras na obtenção de financiamentos para o projeto do "Polo Industrial Confeccionista da Grande São Luís".
  • João Lyra: Foi um poderoso empresário e político alagoano, famoso por ser um dos parlamentares mais ricos do Brasil. Embora sua base política fosse em Alagoas, ele tentou expandir sua carreira para o Norte, onde foi derrotado ao concorrer nas primeiras eleições do recém-criado estado de Roraima em 1990. Conhecido no cenário nacional pelo setor sucroalcoleiro, João Lyra faleceu em 2021.

Historicamente, apenas dois 'paraquedistas' lograram êxito e foram eleitos deputados federais por Roraima:

  • João Figueiredo: Embora compartilhasse o mesmo nome do último presidente do regime militar brasileiro, este João Figueiredo era um empresário que se estabeleceu politicamente em Roraima. Elegeu-se deputado federal por Roraima na esteira da transformação do antigo Território Federal em Estado. Ficou conhecido pelas vultosas quantias financeiras aplicadas em suas campanhas eleitorais, conseguindo converter o poder econômico em votos em uma época em que as estruturas partidárias locais ainda estavam se consolidando.
  • Moisés Lipnik (1953–2003): Foi um advogado, administrador de empresas e minerador nascido na Colômbia e naturalizado brasileiro. Antes de migrar para o Norte, iniciou sua carreira em São Paulo, onde foi assessor especial na Casa Civil durante o governo federal e se elegeu deputado estadual constituinte paulista (1987–1991) pelo PTB. Mudou-se para Roraima devido a investimentos na área de mineração (extração de cassiterita). Disputou o Senado em 1990 sem sucesso e se elegeu deputado federal por três mandatos (eleito em 1994 como o mais votado do estado, reeleito como suplente em exercício e eleito novamente em 2002 pelo PDT). Suas campanhas foram fortemente marcadas por denúncias da Polícia Federal e do Ministério Público Federal por supostos crimes eleitorais, incluindo investigações sobre a distribuição de lotes de terras, recursos e eletrodomésticos em troca de votos. Morreu em Brasília no dia 16 de junho de 2003, aos 49 anos, vítima de um infarto fulminante enquanto exercia o seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados.

Representante de Bolsonaro, não de Roraima

Em vídeos postados nas redes sociais, Hélio Lopes tem deixado claro que vem concorrer em Roraima não com a intenção de defender os interesses do Estado e de sua população, mas sim os interesses do ex-presidente Bolsonaro e sua família.

Eles não combinaram com a população do estado, que tem demonstrado inquietude com esse pensamento equivocado de que quem mora aqui é provinciano, que aceita esse tipo de absurdo pacificamente, sem reclamar. Aliás, o incômodo não é apenas da população, mas também de políticos da direita local, que foram ignorados e ainda não aceitaram esse abacaxi empurrado goela abaixo.

Quem tem a palavra final são os eleitores roraimenses. Aceitarão ou não mais esse 'estranho no ninho'?

WIRISMAR RAMOS - da Redação (e-mail: opinativa.net@gmail.com)

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