A operação foi deflagrada nas primeiras horas da manhã de hoje nos estados de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná / Foto: Ascom/PCRR /
A PCRR (Polícia Civil do Estado de Roraima), por meio da DRACO (Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas), apresentou no final da tarde desta terça-feira, dia 16, o resultado parcial da Operação Rota do Norte, uma das maiores ações integradas já coordenadas pela instituição contra o crime organizado transnacional.
Deflagrada nas primeiras horas da manhã de hoje nos estados de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, a operação é resultado de mais de um ano e meio de investigação conduzida pela DRACO e teve como principal objetivo desarticular a estrutura financeira da organização criminosa transnacional Tren de Aragua, considerada uma das mais perigosas em atuação na América Latina.
Ao todo, a Justiça expediu 25 mandados de prisão preventiva, sendo 18 contra venezuelanos e sete contra brasileiros. Até o momento, 13 mandados foram cumpridos, sendo seis em Roraima, cinco no Amazonas, uma no Rio de Janeiro e uma no Paraná. As equipes seguem em diligências para localização dos demais investigados.
Além das prisões, a operação resultou no cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais e outros endereços vinculados aos investigados e às empresas utilizadas, segundo as investigações, para movimentação e ocultação de recursos oriundos das atividades criminosas da organização.
Durante a operação também foram realizadas duas prisões em flagrante. Uma delas ocorreu no estado de São Paulo, por tráfico de drogas. A outra foi registrada em Manaus (AM), por posse ilegal de arma de fogo e munições.
Entre os presos está um investigado localizado no estado do Rio de Janeiro apontado pelas investigações como o principal operador financeiro do Tren de Aragua vinculado ao grupo criminoso investigado. Segundo a apuração conduzida pela DRACO, ele exercia papel estratégico na movimentação, ocultação e gerenciamento de recursos provenientes das atividades ilícitas da organização criminosa, sendo considerado uma das principais peças da estrutura financeira da facção.
A operação mobilizou equipes das Polícias Civis dos seis estados envolvidos e contou com o apoio da RENORCRIM (Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas), do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) e das unidades especializadas de combate ao crime organizado das Polícias Civis participantes, fortalecendo a integração entre as forças de segurança no enfrentamento ao crime organizado de caráter interestadual e transnacional.
No estado do Rio de Janeiro, a ofensiva contou com a participação da DCOC-LD (Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro), unidade especializada da Polícia Civil fluminense, além do apoio do Projeto Captura, força-tarefa coordenada pela DIOPI (Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência), vinculada à SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública), e da SSINTE (Subsecretaria de Inteligência), da SEPOL (Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro), voltada à localização e captura de criminosos foragidos.
A operação contou com o apoio da empresa americana Chainalysis, líder global em inteligência e investigação em blockchain, cuja atuação foi determinante para o rastreamento, a recuperação e o congelamento dos ativos virtuais.
Durante coletiva de imprensa concedida no final da manhã desta terça-feira, a delegada-geral da PCRR, Simone Arruda, destacou que a operação representa o resultado de anos de trabalho investigativo e de inteligência desenvolvido pela Polícia Civil de Roraima no enfrentamento às organizações criminosas de origem venezuelana que passaram a atuar no estado.
Segundo a delegada-geral, as investigações relacionadas à atuação do Tren de Aragua remontam aos primeiros levantamentos realizados pela Polícia Civil entre os anos de 2018 e 2019, quando começaram a surgir os primeiros indícios da atuação de migrantes criminosos vinculados a facções venezuelanas em Roraima. A partir desse trabalho, a instituição aprofundou as investigações, inicialmente voltadas à atuação violenta da organização criminosa, até alcançar sua complexa estrutura financeira e logística.
Simone Arruda também destacou os investimentos realizados pela Polícia Civil na qualificação dos profissionais que atuam no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ela, investigações relacionadas à lavagem de capitais, organizações criminosas transnacionais, ativos digitais, criptomoedas e rastreamento financeiro exigem conhecimento técnico especializado e constante atualização das equipes.
A delegada-geral ressaltou que policiais da DRACO vêm participando regularmente de cursos e capacitações promovidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e por instituições especializadas em investigação financeira. Ela destacou ainda que o delegado Wesley Costa de Oliveira, coordenador da operação, tornou-se uma das referências nacionais no tema, tendo participado de diversas capacitações avançadas e atuado como instrutor e palestrante em cursos promovidos pelo próprio Ministério da Justiça relacionados ao enfrentamento das organizações criminosas transnacionais e às técnicas de investigação financeira.
As investigações conduzidas pela DRACO identificaram uma rede responsável pela movimentação de recursos oriundos do tráfico de drogas, comércio ilegal de armamentos e outras atividades criminosas. Conforme apurado, integrantes da organização utilizavam Roraima como corredor estratégico para a movimentação de armamentos oriundos da Venezuela, da Colômbia e dos Estados Unidos, destinados principalmente a organizações criminosas instaladas nos estados do Amazonas e do Rio de Janeiro.
As apurações também identificaram uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais, envolvendo aquisição de veículos de alto valor comercial, movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados, utilização de moeda estrangeira, ativos digitais e mecanismos destinados à ocultação patrimonial.
De acordo com o diretor do Departamento Administrativo da PCRR e coordenador da operação, delegado Wesley Costa de Oliveira, o foco da investigação foi atingir justamente a estrutura responsável por sustentar financeiramente as atividades da organização criminosa.
“Essa é uma investigação que ultrapassa um ano e meio de trabalho ininterrupto. O combate ao crime organizado exige inteligência, integração entre instituições e investigações qualificadas. Atacar o patrimônio e a estrutura financeira dessas organizações é uma das formas mais eficazes de enfraquecer sua capacidade de atuação”, destacou.
O delegado ressaltou ainda que os números divulgados representam um resultado parcial da operação, uma vez que diligências continuam sendo realizadas nos estados envolvidos.
Segundo ele, mesmo após a coletiva concedida no final da manhã, equipes permaneceram em campo, cumprindo medidas judiciais e consolidando informações, razão pela qual novos resultados ainda poderão ser incorporados ao balanço da operação.
O delegado titular da DRACO, Hugo Cardias, destacou que as organizações criminosas têm adotado mecanismos cada vez mais sofisticados para ocultação patrimonial e movimentação de recursos ilícitos.
Segundo ele, as investigações identificaram elementos relacionados à utilização de ativos digitais e criptomoedas, o que amplia o campo de atuação policial e exige permanente aperfeiçoamento técnico das equipes responsáveis pelo combate à lavagem de capitais.
Até o momento, as equipes apreenderam R$ 76.725 em espécie, US$ 48.285 dólares americanos e 35 euros, totalizando cerca de R$ 350 mil em valores apreendidos. Também foram arrecadados 11 veículos, entre eles automóveis de alto valor comercial, além de 17 aparelhos celulares e três máquinas de contar dinheiro.
As diligências resultaram ainda na apreensão de ecstasy, metanfetamina, maconha, cocaína e loló. Também foram apreendidas uma pistola calibre .380 e munições de diversos calibres, incluindo 7.62, 5.56, 9 milímetros e .380.
Com a ofensiva, a Polícia Civil de Roraima busca enfraquecer a capacidade financeira, logística e operacional do Tren de Aragua, interrompendo fluxos criminosos relacionados ao tráfico de drogas, à circulação ilegal de armas, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades criminosas em diferentes regiões do país.
As diligências seguem em andamento e novos desdobramentos da investigação não estão descartados.
DA REDAÇÃO

