As investigações decorrem da primeira fase da Operação Fim de Dança e tiveram início após a prisão de "Sorriso Maroto", em Caracaraí / Foto: Ascom/PCRR /
A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio da DRACO (Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas), alcançou mais um importante resultado no enfrentamento ao crime organizado. As investigações decorrentes da primeira fase da Operação Fim de Dança resultaram na condenação de seis integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), em duas ações penais distintas. Somadas, as penas ultrapassam 54 anos, três meses e 13 dias de reclusão, além de um ano de detenção e 4.695 dias-multa.
Entre os condenados estão R.A.X., vulgo "Sorriso Maroto"; T.S.J.I., vulgo "Allanna"; C.R.S., vulgos "Kauany" e "Isa Maroto"; G.L.S., vulgo "Profeta"; E.W.C.P.; e J.D.A.S., este último condenado em duas ações penais decorrentes da operação.
As decisões judiciais tiveram como base o conjunto probatório produzido pela Polícia Civil durante a investigação, incluindo relatórios de inteligência, apreensões de drogas, registros audiovisuais e depoimentos colhidos ao longo da apuração. O material permitiu identificar a estrutura hierárquica da facção, suas funções internas e a participação de cada investigado nas atividades criminosas.
As investigações tiveram início após a prisão de R.A.X., vulgo "Sorriso Maroto", em Caracaraí. A partir da análise do material apreendido e de outras diligências realizadas pela equipe da DRACO, os investigadores conseguiram desvendar a estrutura da facção criminosa e mapear a atuação dos envolvidos.
Conforme reconhecido pela Justiça, R.A.X. exercia a função de "Geral da FM", responsável pela administração do comércio de entorpecentes da facção, pelo controle do chamado "cofre central" e pela coordenação dos pontos de venda de drogas.
T.S.J.I., vulgo "Allanna", auxiliava na gestão dos lojistas e na administração do depósito utilizado para armazenamento dos entorpecentes.
C.R.S., vulgos "Kauany" e "Isa Maroto", exercia a função de "Geral da Feminina de Roraima" e também gerenciava um ponto de venda de drogas.
G.L.S., vulgo "Profeta", atuava como gerente de uma das chamadas "lojinhas" da facção.
E.W.C.P. desempenhava as funções de "Restrito da FM" e "Guarda-Roupa".
Já J.D.A.S. era responsável por manter em sua propriedade rural o local utilizado como depósito principal dos entorpecentes da organização, conhecido pelos integrantes como "cofre central".
Pelas condutas praticadas, R.A.X. foi condenado a oito anos e seis meses de reclusão. T.S.J.I. e C.R.S. receberam penas de nove anos, um mês e sete dias de prisão cada. G.L.S. foi condenado a oito anos, dois meses e 15 dias de reclusão, enquanto E.W.C.P. recebeu pena de nove anos, 11 meses e sete dias de prisão. Já J.D.A.S., considerando as condenações decorrentes dos processos oriundos da operação, totalizou penas de nove anos, cinco meses e sete dias de reclusão, além de um ano de detenção.
A Operação Fim de Dança foi deflagrada em maio de 2025 e mobilizou mais de 150 policiais civis. A ação resultou no cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão nos municípios de Boa Vista, Caracaraí, Mucajaí, Iracema e Rorainópolis. Durante as diligências, foram apreendidos entorpecentes, armas, munições, aparelhos celulares e diversos elementos que fortaleceram o conjunto probatório utilizado nas ações penais.
A operação foi coordenada pela DRACO e pela Delegacia de Polícia de Caracaraí, com apoio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Promotoria de Caracaraí do MPRR (Ministério Público do Estado de Roraima) e de unidades especializadas da Polícia Civil.
Segundo o delegado que atuou na operação, Wesley Costa de Oliveira, as condenações representam o reconhecimento da qualidade da investigação desenvolvida pela Polícia Civil e da atuação integrada das instituições envolvidas no combate ao crime organizado.
“Essas condenações demonstram a qualidade do trabalho investigativo desenvolvido pela Polícia Civil e reforçam a importância da integração entre a Polícia Civil, o Ministério Público e o Poder Judiciário no enfrentamento ao crime organizado. O resultado alcançado mostra que a atuação coordenada das instituições é fundamental para responsabilizar integrantes de facções criminosas e enfraquecer suas estruturas de atuação”, afirmou.
O delegado ressaltou ainda que a Operação Fim de Dança teve desdobramentos importantes após a primeira fase.
“A investigação não se encerrou com a operação realizada em maio de 2025. Os elementos obtidos durante a apuração permitiram o aprofundamento das investigações e deram origem a novas ações de enfrentamento ao crime organizado, ampliando significativamente o alcance do trabalho realizado pela Polícia Civil”, destacou.
Os desdobramentos da investigação culminaram, posteriormente, na Operação Fim de Dança II, deflagrada em novembro de 2025, considerada a maior ação já realizada pela Polícia Civil de Roraima contra uma organização criminosa. A operação mobilizou mais de 300 policiais civis, cumpriu 77 ordens judiciais em Roraima e no Estado de São Paulo e resultou na prisão de 26 integrantes da facção criminosa, atingindo simultaneamente os núcleos operacional e financeiro da organização.
Ao comentar os resultados alcançados a partir da Operação Fim de Dança, o delegado Wesley Costa de Oliveira destacou que as investigações continuam produzindo resultados concretos no enfrentamento às facções criminosas.
“O crime organizado precisa ser combatido de forma permanente. Essas condenações demonstram que o trabalho realizado pela Polícia Civil produziu resultados efetivos e que os autores dos crimes estão sendo responsabilizados na forma da lei. Nosso compromisso é continuar investigando, identificando lideranças criminosas e impedindo que essas organizações se fortaleçam ou se reorganizem em Roraima”, afirmou.
DA REDAÇÃO

