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Coletivo cultural Afoxé Filhas e Filhos de Iemanjá realiza 3° Grito de Carnaval neste sábado (7)

Publicada em: 06/02/2026 09:28 -

O tema desta edição é “Exu em Ritmo das Nações” / Foto: Pablo Sérgio /

O coletivo cultural Afoxé Filhas e Filhos de Iemanjá realiza no sábado (7), seu 3 °Grito de Carnaval, com o tema “Exu em ritmo das nações”, quando pretende reunir fiéis das religiões de matriz africana, da Umbanda e do Candomblé, simpatizantes e o público em geral que gosta da folia momesca. O grito será em frente ao templo de umbanda, Ogum Yara, liderado pela zeladora de santo, Mãe Nelcy, localizado na rua Nozes, 541, no bairro Senador Hélio Campos, com início programado para às 17 horas.

O evento é uma preparação para os dias oficias do carnaval, nos quais o coletivo cultural também fará sua participação, no dia 14, na praça do bairro Nova Cidade e no dia 17 na praça Fábio Paracat, no centro de Boa Vista. No sábado, o grito contará também com a participação do cantor e compositor Ernandes Dantas e Banda, que foi um dos primeiros vocalistas do Afoxé. 

Para o carnaval 2026 a coordenação do coletivo cultural informou que haverá algumas novidades, como a participação especial da cantora Giulia Amaral, que já preparou um repertório especifico para este evento cultural e - ao mesmo tempo - religioso. Além disso, o Afoxé tera a participação de representantes das nações de matriz africana existentes em Roraima, na qual seus membros irão integrar o coletivo cultural com vestimentas que simbolizam os mentores e as nações religiosas de cada casa participante. 

De acordo com uma das coordenadoras do Afoxé, ekedy Rosa Barroso, a proposta é fazer com que essa vivência do período de carnaval - que é um acontecimento que tem raiz dentro da ancestralidade da negritude e indígena brasilileira - sirva como momento de diversão, de confraternização, de consciêntização e de favorecer um espaço de visibilidade para os templos da religiosidade de matriz africana, visando a ruptura dos preconceitos, o combate a intolerâncoa religiosa, com promoção da inclusão social.

“Diferente de outros blocos de carnaval, somos um coletivo cultural que atua durante todo o ano, que nascemos na periféria para a periferia, como um projeto social de inclusão, no qual a maioria de nossos integrantes são jovens, apesar de termos também pessoas da terceira idade que fazem questão de participar conosco. E, apesar de ser um coletivo cultural que nasceu dentro de uma casa religiosa do candomblé, está aberto para a participação de pessoas de todas as religiões e também daquelas que não possuem religião. É um coletivo cultural inclusivo e democrático que abriga todas e todos, indistintamente”, destaca Ekedy Rosa.

Por sua vez, o jornalista Pablo Sérgio, que também faz parte da coordenação do Afoxé Filhas e Filhos de Iemanjá ressalta que o coletivo cultural é o primeiro e único de Roraima no gênero e que desde a sua fundação - em 2023 - tem marcado presença em diversos eventos culturais e academicos, com suas apresentações, promovendo o debate sobre a consciência negra, sobre a valorização e o respeito a ancestralidade das religiões de matriz africana, que inicia com as festividades do carnaval e se encerra com o Festival de Iemanjá que ocorre anualmente no dia 8 de dezembro. Evento que também congrega representantes de todas as nações da Umbanda e do Candomblé e que já faz parte do calendário cultural e religioso do município de Boa Vista.

“O afoxé possui características próprias e únicas no estado de Roraima, que vai desde a vestimenta ao repertório, passando pela coreografia das danças e pela  produção da percussão, com seus instrumentos especificos que visam expressar a força da negritude e da ancestralidade, dando visibilidade a um grupo importante da sociedade que, normalmente, passa despercebido. Essa união dos pais e das mães de santo de Roraima, visando participar das apresentações do Afoxé é uma forma de fazer com que a sociedade entenda que esse universo misterioso para aguns é algo muito natural, fazendo com que os terreiros saiam da invisibilidade e ocupem seu lugar de direito na avenida carnavalesca e na própria sociedade”, destaca Pablo Sérgio.

Por sua vez, ele explicou que o coletivo cultural sendo um projeto social sem fins lucrativos e que trabalha com um grupo de 50 adolescentes, jovens e adultos voluntários, só consegue atingir suas metas graças a algumas parceirias que – segundo ele - são fundamentais. “Temos recebido um apoio incondicional do Instituto Irmã Dulce da Amazônia que nos dá o suporte técnico, burocrártico e logístico necessário para os nossos ensaios permantentes durante todo o ano e para o carnaval também estamos recebendo o apoio do Instituto de Desenvolvimento e Social (Idehs) e do Comitê de Cultura de Roraima, além do apoio incondicional da Prefeitura Municipal de Boa Vista, através da Fetec e também do Governo do Estado, através da Codesaima e da Secretaria Estadual de Cultura”, ressaltou.

DA REDAÇÃO

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