Na Tribuna da Câmara, deputada Joenia pede justiça pela morte de mais duas crianças Yanomami

Joenia Wapichana: “O que o Brasil está fazendo? É preciso justiça nesses casos” / Foto: Divulgação /

A Hutukara Associação Yanomami (HAY) vem denunciando, desde ontem, o caso de duas crianças yanomami, de 5 e 7 anos, que foram sugadas por uma draga de garimpo e cuspidas para o meio do rio e levada pelas correntezas, próximo à balsa onde atuam ilegalmente os garimpeiros na Terra Indígena Yanomami. As duas crianças foram encontradas mortas, conforme a denúncia.

Durante a sessão de hoje, 14, na Tribuna da Câmara, a deputada federal Joenia Wapichana (REDE-RR) reforçou a denúncia pedindo justiça. “Hoje eu venho à Tribuna pedir justiça. É muito grave o que se passa na Terra Indígena Yanomami”, disse. “É inadmissível, senhor Presidente. O silêncio deveria ser de toda sociedade brasileira em cobrar justiça, porque os povos yanomami estão denunciando isso há muitos anos”, reforçou a deputada, em tom de indignação, por mais esse caso grave.    

Anunciou que apresentará Requerimento para criação de uma Comissão Externa para acompanhar a situação do povo Yanomami. “Espero que esta Casa, os parlamentares, possa me apoiar. É o mínimo que se pode fazer. Não é questão de quem apoia ou não o garimpo. É uma situação de vida, de crianças, senhor Presidente”, frisou, ao mencionar os modos de vida das crianças Yanomami, que nasceram e estão crescendo às margens dos rios. 

“O que o Brasil está fazendo? É preciso justiça nesses casos”, acrescentou, ao lembrar do caso do jovem Yanomami atropelado por uma aeronave que dava suporte ao garimpo e as operações ocorridas na Terra Indígena Yanomami com a apreensão de mais de 60 aeronaves.  

A deputada alertou ainda para o avanço do crime organizado na região do garimpo e as respostas que o Brasil precisará dar à altura dos crimes, incluindo ambientais, principalmente às vésperas do maior evento climático, a COP 26, em novembro, na Escócia.  

“Nós sabemos que essa violência é totalmente pública, mas precisamos de respostas também. Precisamos de fiscalização permanente, de recursos para que esse monitoramento seja feito constantemente pelos órgãos responsáveis”, frisou ao cobrar recursos aos órgãos como Funai, Ibama e Icmbio, para combater o crime organizado.   

“É inadmissível, senhor Presidente, cada vez mais criancinhas mortas. Mulheres contaminadas e crianças nascendo deformadas por conta do mercúrio. Imagina,  morrer com câncer porque tem mercúrio no sangue”, prosseguiu. “Eu não desejo isso a ninguém, mas imagina se fossem crianças brancas sendo sugadas por máquinas de garimpo”, refletiu sobre qual seria a reação do parlamento, da sociedade brasileira e do parlamento.  

Como única parlamentar indígena, Joenia Wapichana conclamou o parlamento para o cumprimento do dever constitucional para dizer “não ao garimpo", uma vez que o garimpo só provoca morte, além da necessidade de frisar para a sociedade que "os povos indígenas fazem parte da sociedade brasileira e, como tal, merecem ter sua vida protegida".

FONTE: SITE DA PARLAMENTAR
Categoria:Política

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